quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Ifemelu, musa da minha fronteira


Quando vivi a ruptura em 2015, decidi tirar o atraso de leituras. Descobri muuuuita gente bacana, e foi determinante pois eu quebrei meu preconceito literário acerca das mulheres na literatura... E comecei com Chimamanda, entrando na hype do Americanah. Confesso que estava louca para ler este livro, porque a minha experiência com a literatura africana foi marcada pelo ilustre Chinua Achebe, e seu livro "A flecha de Deus", que tive o prazer de ler na universidade. Mano, que experiência incrível! A partir dali, tenho escritores africanos em alta estima, ou seja, ao descobrir Chimamanda, mal pude conter a expectativa em lê-la!!! 
O fato dela ser feminista só ganhou um peso real pra mim em 2016, pois em 2015 eu não me via lutando por algo que seria benéfico para mim mesma, embora eu tivesse motivo o suficiente para repensar meu posicionamento. Ainda tinha muito preconceito com feministas, e eu praticamente ignorei a militância de Chimamanda. Mas os resquícios dessa luta permaneceram no meu íntimo durante muito tempo, depois de ter lido vários outros livros após Americanah. Todo o construto de Ifemelu como mulher e como militante ficou muito marcado, sem contar as situações que foram determinantes para este construto que eu muitas vezes também vivi... 
E algo que me marcou muito nessa história, foi a aceitação dela enquanto negra... Logo no ínicio da história, vemos ela indo em direção à um salão de cabeleireiro especializado em cabelos afros, e a profissional insiste para que ela alisasse seus cabelos, e Ifemelu determinada diz que gosta do seu cabelo do jeito que é. Isso ficou muito marcado, e achei muito bonito da parte de Chimamanda descrever uma personagem tão fiel as suas origens, porque nesta sociedade eurocêntrica, beleza é sinônimo de traços da branquitude, logo vemos desde muito cedo crianças sofrendo com o preconceito com a sua pele, com o seu cabelo, e as imposições de pessoas que não aceitam a diversidade de etnias e desejam padronizar a estética, de acordo com o seus respectivos sensos estéticos, que é guiado por ditames racistas. A medida que o sujeito cresce, mais ele está emaranhado por estas imposições, e mais ele crê que a sua beleza é inaceitável perante a sociedade.
Não que seja errado alisar o cabelo, mas muitas fazem isso com a inclinação errada, somente para ser aceita perante a sociedade, quando é a própria sociedade que na verdade está equivocada diante de seus preceitos, pois submetem negros, sobretudo negras a seguirem o tal senso estético padronizado para serem aceitas numa vaga de emprego, para frequentarem determinado lugar, para não receberem olhos tortos, e tantas outras injustiças que segregam estas pessoas da sociedade em que estamos inseridas. Como aconteceu com a tia de Ifemelu, para conseguir a vaga no hospital, precisou desmanchar suas tranças afro, alegando que era necessário se adequar as normas daquele lugar onde ela estava lutando para conseguir um espaço. A QUESTÃO É: VOCÊ PODE, TANTO SER LISA, QUANTO SER CRESPA, DESDE QUE VOCÊ ESTEJA BEM CONSIGO MESMA. NO MUNDO DOS SONHOS, VEMOS CRESPAS SE LIBERTANDO DOS DITAMES ESTÉTICOS, MAS NA VIDA REAL, AINDA É ARCAICO O TRATAMENTO QUE ELAS RECEBEM DE SUA BELEZA NATURAL. 
Temos muito o que caminhar, o que aprender, assumir sua beleza natural vai muito além de estar na moda, é uma questão de aceitar suas origens, de aceitar a si mesmo, de lutar para que outras pessoas envoltas nas imposições dos padrões de beleza se sintam motivadas a fazerem o mesmo... E temos o exemplo claro de Ifemelu, que lutou muito para chegar a mentalidade que ela chegou, e vemos no decorrer da leitura tantos desafios que ela enfrentou para se tornar a musa da nossa fronteira! Questões raciais, questões de gênero, aceitação das origens, tudo isto torna a narrativa carregada de conhecimento e oportunidade para nos transformarmos em seres humanos empáticos diante da luta que é se aceitar num mundo tão ditatorial como este. Vamos aprender com Ifemelu a nos tornarmos seres transformadores e cheios de saberes!


terça-feira, 1 de agosto de 2017

"Eu", de Florbela Espanca, e conjecturas do universo ao meu redor.


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
     
              Florbela Espanca

Florbela Espanca me acompanhou nos dias nebulosos de 2015. Dias de incerteza, de tristeza, de um coração despedaçado, enfim, de muitas dúvidas acerca do que viria dali pra frente. Meus caminhos tortos me levaram a um beco sem saída, sofri uma ruptura e daí pude entender que a liberdade não significa um despirocamento total, mas uma vida tomada pela responsabilidade de saber que tudo tem um preço. Hoje acordei com vontade de me desprender de tudo o que me leva a recordar daquela época que já passou, sinto vontade de pegar o rumo de uma estrada sem olhar para trás, mas ao mesmo tempo sinto vontade de me abrir para aquela pessoa que marcou minha vida como ninguém conseguiu marcar. Sinto vontade de arrebentar os grilhões que me prendem, sinto vontade de jogar no vaso sanitário meus medicamentos, sinto vontade de tantas insanidades, mas mantenho a calma e penso: a dor do arrependimento depois é muito maior.
As vezes me pego pensando: será que sou o suficiente para marcar alguém? Quantas pessoas marquei nessa vida? Todos um dia voltam para me dizer o quanto fui importante, o quanto desejaram que tivéssemos dado certo, mas por outro lado, vem os questionamentos advindos de uma mente ainda em transformação, e certas manhãs uma pergunta paira na cabeça: será que é real? Meus amigos dizem para eu tomar cuidado com as verdadeiras intenções, mas algo no meu íntimo me diz que não tem razão alguém se dar ao trabalho de me procurar para voltar atrás diante da atitude ríspida pela qual havia tomado anteriormente. Será que sou tão insuficiente a ponto das pessoas só me procurarem pensando em tirar uma onda com a minha cara? Por isso chego a conclusão, e quero acreditar, mesmo quando os dias estiverem nebulosos, que eu sou o suficientemente incrível para alguém sempre voltar. Independente se este voltar seja apenas um voltar amistoso, um voltar livre de amarras, somente laços afetuosos, de quem só deseja fazer parte da sua vida, por assistir cada caminhar seu, e aplaudir cada linha de chegada que você alcançar.
Não sei qual foi o motivo que levou Florbela a escrever essa poesia. Mas vejo ela nesse momento de inspiração, atravessando um período sombrio, de dúvidas e dor, como este em que eu descrevi acima. Vejo ela pensando nas tantas vezes em que ela tentou transformar cacos de vidro em diamantes, vejo ela tentando pela impetuosidade dela fazer com que as coisas dessem certo, ignorando o fato de que tudo o que envolve um comportamento impetuoso leva a pessoa a ruína... Penso nas vozes que incutiam nela a própria inferioridade, fazendo-a crer que ela não era o suficiente para ser amada por alguém. Vejo ela em busca de rostos, inserida numa multidão, e frustrada em sua procura, pois ninguém reconhece a sua alma. 
Ao mesmo tempo que essa poesia faz parte de mim, vejo também que faz parte das pessoas que me cercam, e que a desconhecem... todos estão tão imersos nas próprias frustrações, e não enxergam um palmo de valor existentes em seus interiores. Todos prontos a descreverem suas derrotas, e das vezes que pensam em desistir de tudo... Todos dispostos a mostrarem o quanto são detestáveis, ignorando a necessidade de se olharem de maneira otimista... todos prontos a se chafurdarem na lama, sem dar a chance de se darem uma chance... Tantos filmes, livros, músicas que serviriam para os levarem ao estado de contemplação, mas todos estão ocupados correndo atrás de discutirem o sexo dos anjos, e coisas inúteis. E todos tão adormecidos em sua própria realidade, que não suportam a claridade do que a verdade tem a lhes mostrar. Se eu mostrasse essa poesia a esta pessoa, com certeza concordariam no quanto ela descreve sua realidade. 
Mas fico pensando se a vida é suficientemente grande e resistente para carregarmos dor em sua bagagem... será que não perderíamos a paisagem da estrada que estamos trilhando, ocupados em contar os pedregulhos que tropeçamos? Hoje senti essa vontade de desocupar o bagageiro do meu coração para dar vazão as coisas boas que a vida tem para me oferecer. Eu sinto que já não sou mais a doença, já não sou mais as limitações, já não sou mais as fraquezas que me apontam, já não sou mais as incertezas que me plantam, já não sou mais o construto que os outros fizeram de mim! É hora de rejuvenescer, fazer um curso, fazer planos, fazer novas amizades, estar em busca de sempre melhorar, e acima de tudo, enxergar sempre o melhor que existe em mim! É chegada a hora de me dar a chance de respirar novos ares, de ver o mar, ou enfrentar selvas de pedra, e enxergar tudo sob as lentes de uma câmera fotográfica. Sinto vontade de alçar vôos, com a responsabilidade de quem vive por si mesmo. É chegada a hora, e saibam que o que deixei para trás foram pesos que não vejo necessidade alguma de carregá-los novamente.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Me perdoem as #TeamRochester, mas amor próprio é fundamental (Jane Eyre Primeira Parte)


Há muito tempo Jane Eyre foi considerado o meu livro favorito, e realmente não tiro em nada o mérito dele. Mas comecei a problematizá-lo de uns tempos para cá. Em especial Rochester, por que cargas d'água eu dava tanto biscoito para este personagem? Esta não será a primeira e única resenha que farei deste livro, tem muito assunto ainda a ser tratado, mas hoje vejo que Jane Eyre não é um romance, mas sim um conflito psicológico, onde a personagem principal parece ter como ponto de vista que somente o amor romântico poderá lhe salvar, um homem que pensa que só porque tem um certo poder aquisitivo acha que está no direito de manipular sentimentos a sua volta, e uma mulher, apagada da história, conhecida como louca, mas se procurarmos saber a respeito dela, descobriremos muitas facetas em torno desse "cavalheirismo" de Rochester (vamos falar mais a respeito dela na segunda parte).
Embora Jane seja uma mulher muito destemida, não a vejo como uma mulher empoderada, mas não a julgo por isso, devemos levar em consideração que a história se passava no século XIX, e o mito do amor romântico e a submissão estava em voga, naquela sociedade machista, e envolvida pelos ditames da igreja. POR FAVOR, ESTE É O MEU PONTO DE VISTA, E COMPARTILHO COM VOCÊS! Cada um faz sua própria interpretação do que lê, e analisando o livro, depois de algum tempo, cheguei a conclusão que possivelmente Charlotte gostaria de mostrar o cancro de cada mentalidade existente naquela sociedade que ela pertencia. Descrever uma protagonista tão destemida, mas ao mesmo tempo tão vulnerável as inconstâncias do amor romântico, principalmente quando se trata do que nós idealizamos em cima do outro, e também traçar um perfil de um homem cujos privilégios do patriarcado davam a crer para ele que poderia manipular os sentimentos de uma moça sem experiência na vida, que se sairia ileso. Enfim... faz a gente pensar na nossa própria vida, e nas escolhas que fazemos, em especial quando se trata de envolvermos com alguém parecido com este personagem. É uma linha tênue demais!!!
Ao falar deste livro, decidi dividi-lo em duas partes, para compartilhar com vocês minhas conjecturas acerca dessa história. Nos últimos 2 meses mais ou menos, ela me marcou muito, mesmo eu não tendo pegado o livro para reler, mas sabe quando você fica caçando artigos acadêmicos a respeito do livro, e passa a desconstruir aquela imagem que você tinha a respeito daquele crush literário que te acompanhou por anos??? Pois então... Vamos ao objeto de análise. Rochester é um típico homem que sabe o que dizer para envolver uma mulher. Aí junta a ausência de uma companheira (vamos falar disso na segunda parte), e o fato dele ter um magnetismo, a beleza acaba se sobressaindo, e por incrível que pareça a riqueza fica em último plano (SÉRIO!) É um kit perfeito de pega trouxa, e Jane caiu nessa armadilha. Agora eu vou explicar porque eu me desiludi com o Rochester.
Edward Rochester tinha um mistério que rondava a sua vida, e o fato dele estar sendo marcado pela presença de Jane, uma mulher inteligente (sim, isso Jane é, sem sombra de dúvidas!), que se impunha diante dos questionamentos acerca de sua vida, ou seja, Jane tinha uma personalidade, mas ao falar de Rochester, a minha dúvida é que eu não sei ao certo em que sentido este marco estava levando a intenção dele, essa é a minha indagação... enfim... ele queria sempre manter Jane por perto, como uma "CÚMPLICE DE UM CRIME" (eu vou explicar melhor porque escrevi esta expressão em caixa alta e entre aspas na segunda parte desta análise). E ao mesmo tempo que ele gostaria que ela compactuasse de suas decisões, ele brincava muito com os sentimentos dela, fazia muitos jogos sentimentais. Ao receber a Lady Ingram, que subjetivamente se forjou um possível enlace dos dois, Rochester meio que obrigou Jane a ver aquela cena em que os dois riam e se deleitavam com a presença um do outro, até ela não aguentar mais. 
Sem contar a forma como se deu o rompimento dos dois, e a condição que ele queria condicionar Jane a viver, nesse ponto Jane foi muito mulher, em se colocar em primeiro lugar e sair daquela casa... Rochester, em linhas gerais, estava mais interessado no seu próprio bem estar, em se satisfazer, do que nos sentimentos dos outros e na própria dignidade do outro. Isto soa conservador, mas ao deixarmos o anacronismo de lado, vemos o quanto certas convenções eram importantes para a mulher daquele século. Por exemplo, se hoje já existe um certo olhar torto em torno da mulher que somente mora junto com outro homem, imagine o peso que esta decisão exerceria para aquele século, em que os paradigmas eram mais rígidos?! Será que Jane teria estrutura suficiente para enfrentar esses julgamentos??? Rochester nunca levou isso em consideração! Desculpa a franqueza gente! Mas olha, eu necessito desabafar!
Hoje a gente lida com pessoas de todas as facetas, e vez por outra encontramos os Rochesters da vida. Mas precisamos sempre analisar: uma pessoa que não consegue assumir as consequências de suas próprias escolhas, o peso de suas próprias decisões, é merecedor do seu sentimento? Uma pessoa que manipula seus sentimentos para ver até que ponto você sente algo por ela, é merecedor desse amor que você nutre por ela? Observa-se (vou falar mais disso na outra resenha a respeito desse livro), que Rochester está sempre responsabilizando os outros pelo seu próprio infortúnio, ou seja, uma pessoa que terceiriza a culpa pela sua desgraça, ao invés de assumir a sua própria cagada, merece a sua consideração? Percebe-se que Rochester tinha uma certa imaturidade ao lidar com a vida, e ao ter seus privilégios financeiros e estruturais, manipulava sentimentos de quem tinha a melhor das intenções para com ele, como foi o caso da Jane. Então todas essas perguntas que eu te fiz, é um exercício que eu incentivo você a fazer constantemente em sua vida, em especial quando você for se relacionar com alguém. 
Aguarde que no mais tardar na semana que vem, sai a segunda parte dessa resenha! Curta, siga, comente e compartilha!Desculpe se eu destruí seus sonhos, mas certos tapas na cara são necessários levar!

terça-feira, 25 de julho de 2017

Como eu era antes de Rupi Kaur


Fui transpassada pela escrita de Rupi Kaur. E quem pensa que é uma escrita difícil, está muito enganadx. É simples até demais. Porém, com uma profundidade sem tamanho. Acho que o fato dela escolher ter uma abordagem simples, se deve ao fato dela querer abraçar todas as realidades existentes em nossa contemporaneidade. Ela trata sobre vários assuntos que giram em torno da essência de ser uma mulher, mas eu acredito que ela deve ter pensado: "A mulher que não alcançou o colegial, não é menos mulher do que a doutoranda..." O mal de nossos intelectuais é dirigir sua palavra somente aos parcos entendedores de meia dúzia de palavras difíceis de serem entendidas, os estudantes são condicionados a exporem seus estudos para os mesmos inseridos nessa bolha dourada academicista por exemplo, dificultando o entendimento dxs periféricxs, dxs faxineirxs, dxs cozinheirxs e garis. 
Tive uma crise profunda de contemplação por cada verso escrito dessa autora, acontecimentos estranhos surgiram após a leitura desse livro. Ao falar de amor com tanta doçura, logo após uma solicitação de amizade surgiu no meu perfil do facebook, e eis que era meu doce amor de anos atrás, querendo saber como eu estava, e me dizer que se preocupava comigo ainda. Parecia que tinha adivinhado que eu acabara de ler um livro que afirmou toda a minha conjuntura de ser quem eu sou, o que eu me tornei após sua passagem relâmpago, e o seu esquecimento de ter saído deixando a porta aberta para fantasmas e monstros entrarem e se esconderem nas sombras dos móbiles da minha estrutura ainda em construção. 
Juro que subestimei muito o "Outros jeitos de usar a boca". Mas garimpando o Lê Livros, resolvi dar uma chance para ele. E meu Deus! Só não li em uma sentada porque precisava dormir. Logo no início ela descreve a sua maturidade moldada por entre as humilhações sofridas. Entre ser grosseira e ser gentil, ela escolhe a segunda opção, e revela: sou gentil, porque não foram gentis comigo. Logo após fui arrebatada de vez ao descrever como foi seu primeiro beijo, e como toda a experiência de uma mulher, foi da forma mais violenta possível, pela gana que grande parte dos homens sentem em serem os primeiros de uma mulher, quer ela queira, quer não. A objetificação da mulher é descrita com uma melancolia, pelo fato do nosso corpo ser considerado um parque de diversão, e nosso coração é banalizado como um trapo esgarçado. Ultimamente me sinto cansada e vejo que é um ponto de vista universal, dificilmente alguém enxerga algo de bom no outro, sem necessariamente levar para o lado sujo das coisas... não sei, ando meio cética em relação aos dois polos existentes da natureza humana.
"Sem oooooorrrr"!!! Esse livro fala de tantas coisas!!! Como quanto a relação paterna pode influir na maneira da filha encarar o sexo oposto, um conselho para os pais: "NÃO GRITEM COM SUAS FILHAS, DANDO A ENTENDER QUE ISTO É UMA PROVA DE AMOR!!!" A importância do amor próprio, antes de pensar em se relacionar com alguém, pois a ideia de que o relacionamento é a junção de dois seres incompletos para se completarem é ilusório e nocivo! A decisão de se colocar em primeiro lugar quando um relacionamento está desgastado e está fazendo mal... isso é uma decisão que poucos tomam, pois por causa do ego, dificilmente se dá o braço a torcer ao reconhecer que se está numa barca furada. Enfim leitores, recomendadíssimo este livro!
Em cada momento me deparei com uma parte de meu íntimo sendo desnudado, pensava comigo: "como pode alguém falar de maneira tão simples algo que era impossível de ser verbalizado para mim???" Sabe quando você está lendo algo, e de tão maravilhoso que é, você pensa: "Mas que droga! Como eu não pensei nisso antes?!" Recomendadíssimo esta leitora, gostaria de falar mais sobre ela, em especial o impacto que este livro me causou, mas me faltam palavras, e eu sei que esta resenha foi insuficiente perto da necessidade que este livro representa na vida de todxs nós!!!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Por que eu não consegui ler Razão e Sensibilidade?


Aproveitando a semana do bicentenário da morte de Jane Austen, vou discorrer sobre a minha experiência de ter chegado a ler "Razão e Sensibilidade"... aiai.

Pedi pra mãe: "Mãe, compra Razão e Sensibilidade para mim?", e ela deu de bom grado. Meses depois começo a ler o livro, e o inferno literário começou. Briguei com a minha irmã, briguei com a minha melhor amiga, exclui do facebook meu outro amigo, que não havia me respondido no messenger no tempo que eu julgava adequado. Fora as pessoas que eu deixei de seguir no instagram, não vou dizer porque. Tudo isso por causa do quê? Razão e Sensibilidade. Como eu disse nos outros posts relacionados a Jane Austen, ela me surpreendeu pela intensidade de sua escrita, substância, juntamente com um desenvolvimento crescente e bem alicerçado de seus personagens.
Isso para o bem e para o mal, porque quando Jane Austen resolve escrever um personagem ordinário, meu Deus do céu, eu quase infarto de ódio!!! E foi o que aconteceu com "Razão e Sensibilidade". A maioria das personagens de Jane são carregadas de força e personalidade, mas não vi isso em Elionor e Marianne, me corrijam se eu estiver errada, e se for o caso, me incentivem a dar continuidade a leitura, porque eu brochei. Falo isso porque não suporto ver uma personagem se contentando com amores bostas, e Marianne, sobretudo Elionor estão sempre ali amargando um sofrimento por pessoas que não valem um fio de cabelo! AAAAAAAAA QUE ÓDIO!!!
Esse livro reverberou em mim meu passado, em que eu também buscava as migalhas de pessoas que não valiam 1 centavo, e mano! Como eu me humilhava! Como eu sofria! O fato de eu não ter conseguido ler Razão e Sensibilidade se deve ao fato de me doer grandemente o coração quando eu vejo mulheres maravilhosas dando biscoito pra macho bosta! Porque eu sofri demais fazendo isto! Vendo que Jane Austen criou duas personagens que tinham tudo para se sobressair na história pela vitalidade de cada uma delas, porém, na verdade, são dependentes emocionalmente, e isso me sangra!!! Deus me defenda, como me sangra! 
Parei na parte em que é criado uma aura de rivalidade entre Elinor e a noiva de Edward, e mano, quem é esse palhaço do Edward??? Esse macho escroto que pensa que pode fazer uma mulher de otária porque se acha a última coca cola do Saara, por ser de uma família abastada, mano! E Elinor ali, inflando o ego desse babaca por querer tirar satisfação com a tal noiva dele, putz! Me enche de raiva! Falo isso porque quantas vezes eu fiz essa baianada, e não me levou a lugar nenhum, pelo contrário, só ajudei a inflar ego de boy lixo, que vergonha! Quase infarto lendo esse livro, quase acabo com uma amizade que só me fez crescer como pessoa, enfim, só fiz merda ao ler esse livro. Por falar em fazer merda ao ler um livro, vocês não fazem ideia da "MERDA MOR" que eu fiz ao ler "O morro dos ventos uivantes", mas vou deixar isso pra outro post.
A questão é que me doeu muito ter tentado ler Razão e Sensibilidade, por todas essas questões listadas. Então gostaria que vocês me entendessem, e gostaria de pedir carinhosamente, que se for o caso, me convençam a continuar lendo o livro, porque eu AMO Jane Austen! E toda a obra dela vale muito a pena ler! Me identifico (EM PARTES) com a Elinor, porém, sofri demais em ver que uma personagem que tem tanto potencial, rastejando por causa de um machista de merda!!! AAAAAAAAA QUE ÓDIO!!! Então sintam-se a vontade para dizerem suas conjecturas, digam que merda literária vocês cometeram por causa de alguma leitura, sigam a mana nas suas mídias sociais, não se avexem!!! Merdas todos nós cometemos, mas saibam que eu eu supero todas!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A simbologia na aparição de Catherine em "O morro dos ventos uivantes"


"Heathcliff, it's me, Cathy, I've come home
I'm so cold, let me in your window..."

             Kate Bush - Wuthering Heights

Dia 30 de julho Emily Brontë completaria 199 anos... fico imaginando se nós tivéssemos fôlego de vida o suficiente para atravessarmos séculos, quantas coisas poderíamos fazer... quando me passou isso pela cabeça fiquei conjecturando que provavelmente nós seríamos tão acomodados como somos agora, em que temos um tempo de vida quase nulo, levando em consideração que imprevistos são uma possibilidade, e poderemos ter nossa vida interrompida a qualquer momento. Mas vamos voltar ao assunto "O morro dos ventos uivantes", em especial o trecho da música que Kate Bush compôs.
Sugiro a você que jogue no YouTube o nome da cantora e da música, você poderá pensar: "eu nunca ouvi", MAS EU COLOCO MINHA MÃO NO FOGO que sim! Você já ouviu esta música em algum flashback de rádio FM, ou nos momentos finais de uma festa anos 80... te garanto! Foi a melhor sacada que Kate fez em sua carreira, porque esse trecho do livro em que o fantasma de Catherine aparece na mansão de Heathcliff é carregada de simbologia, e ultimamente ando me interessando muito por esta questão, visto que o escritor constrói uma aura em cima de cada acontecimento, sensação, seja lá o que for, sugerindo que em cima de cada significado presente nos elementos utilizados terá uma reviravolta na história. 
Vou conversar mais sobre o livro no decorrer do mês de julho, acontecerá o mesmo com Jane Austen, visto que as duas datas são relevantes, e relembrarmos a importância dessas duas escritoras para a literatura mundial é essencial! "O morro dos ventos uivantes" é denso! Eu fiz tanta cagada que vocês não fazem noção, envolta no construto bem alicerçado de seus personagens. Cada um constitui um universo diferente, personalidades distintas com os seus próprios demônios para se enfrentar, reações sinceras, comportamentos que sugerem uma vida descrita com profundidade a partir do momento em que se pega o livro para ler, sem afetação nenhuma. 
O romance entre Heathcliff e Catherine é quase secundário se levarmos em consideração os conflitos psicológicos presentes em cada vida ali descrita na trama. Você vai do céu ao inferno em questão de poucas linhas. O que separa a calmaria da tormenta no máximo são míseros números de páginas. Ao devorar o livro em 15 dias, a mercê desse furacão literário, fazendo um comparativo com Charlotte e Emily Brontë (DESCULPEM OS #TEAMROCHESTER), cheguei a conclusão que Emily tem mais riqueza de subjetividade, eu não sei que nome dou pra essa coisa que faz o nosso mundo virar de cabeça pra baixo, só sei que ela me surpreendeu. Sim, meus caros leitores, ainda é cedo para falar, porque ainda não li nada da Anne Brontë, embora não me falte vontade de conhecer o que a Anne Brontë tem! Assisti o filme há muito tempo atrás, eu nem sonhava em ter o livro, embora tenha sido uma produção fantástica, mas de longe o livro é infinitamente melhor!!!
Mas vamos a simbologia, meus caros... vamos ao livro: PORÉM, SE VOCÊ AINDA QUER LER O LIVRO, E NÃO QUER SER SURPREENDIDX COM UM SPOILER, SUGIRO QUE PARE IMEDIATAMENTE DE LER ESTA ANÁLISE, OK? Quando o hóspede chega ao morro dos ventos uivantes, para se proteger da nevasca, ele é levado ao antigo quarto de Catherine Earnshaw, lembrando que Catherine está morta há muito tempo... O hóspede tenta dormir, mas o vento sacode a janela, e um barulho peculiar no vidro o instiga a saber o que está acontecendo lá fora. Quando ele abre uma brecha do vitro, o fantasma de Catherine o agarra pelo braço, e ela pede para deixá-lo entrar, pois está frio. É noite, e está caindo uma nevasca. Há dois símbolos que poderemos discutir, o gelo e a escuridão, ou a noite.
O gelo significa o desvanecer, o desaparecimento de algo. Podemos analisar que, naquele exato momento em que o hóspede estava no morro dos ventos uivantes, Heathcliff tinha pouco tempo de vida, e Catherine estava rondando o lugar, que foi um marco para o seu construto, desde a infância até a sua juventude, onde ela e Heathcliff viveram uma história, ou seja, ela estava ali para avisá-lo que lhe restava pouco tempo. De acordo o blog efeitomistico.blogspot.com.br, a noite significa a união com o infinito, visto em muitos idiomas da europa, a palavra noite é formada pela letra N juntamente com a escrita do número 8, nas respectivas línguas, ou seja, NOITE é formada com a letra N + o número 8 que simboliza o infinito. Dessa forma, podemos concluir que, Heathcliff e Catherine se juntariam infinitamente, o que em vida eles não fizeram. Não é lindo? Aaaaaaaaa desculpa, eu fico mexida com essas coisas. Se quiserem me dar um dicionário de simbologia, eu agradeço!
Tudo isso são peças que vou juntando na minha mente fértil, e se vocês quiserem contribuir com comentários, fiquem a vontade! O mês de julho estará cheio de publicações em torno de Emily Brontë, acompanhem a Mana Leitora não só no blog, mas também nas outras mídias sociais!!! Bora Fortalecer?


terça-feira, 18 de julho de 2017

Como Jane Austen mudou minha forma de encarar as mulheres na literatura?


Sim, meus caros leitores, se esta página existe, é graças a Jane Austen, Porque antes eu não dava espaço nenhum a mulheres na minha prateleira. Para não generalizar, somente uma eu dava crédito. Não vem ao caso quem, mas a minha intenção hoje é discorrer sobre esta escritora importantíssima para a nossa contemporaneidade que sobrevive ao tempo. Hoje completa-se 200 anos da morte de Jane Austen, e em todas as partes do mundo, de acordo com a cultura local, lembra-se de sua relevância em nosso saber. Hoje por exemplo, quando eu acordei, me lembrei da notícia que eu li de um site (não me lembro qual) em que terá o chá da tarde em homenagem a escritora, e pasmem! Reservas esgotadas! Droga! 
Engraçado que eu me prontificava a comprar exemplares de luxo da obra de Jane para as minhas amigas, mas não me apetecia em descobrir o universo de Jane, por que??? Porque eu reproduzia machismo em demasia, e dizia com todas as letras: "ISSO É LEITURA DE MULHERZINHA!" Quando eu entrei na universidade, e conheci as minhas duas melhores amigas (ambas citadas na segunda resenha desse blog), compartilhamos nossos saberes literários e o nosso prazer em desfrutarmos dessa paixão. E aí meu caro leitor, veio a pergunta decisiva: "você conhece Jane Austen?" Eu, carregada de preconceito literário disse: "NÃO GOSTO." Ainda bem que elas não desistiram de mim. Sim meu caro leitor, meu preconceito literário era com Jane Austen.
Aí chegou 2015, odeio anos ímpares (cheguei a conclusão que odiava anos ímpares pela existência do ano 2015), porém... foi um ano que decidi dar a chance a escritoras. E a primeira escritora que resolvi dar uma chance foi com a Lady Jane. Comprei "Orgulho e preconceito". Mas a minha mente condicionada a reproduzir machismo e dar biscoito pra macho boicotou a leitura que eu me policiei a fazer ainda naquele ano. Mas não desisti. Fiquei doente, mas continuei firme na busca pelo "interesse em ter interesse" nas mulheres escritoras. Li Chimamanda, Alice Kuipers, Charlotte Brontë, e por fim... Jane Austen! E meus queridos!!! Quantos mini infartos eu sofri, quantos sofrimentos advindos do sistema nervoso, quantos surtos psicóticos, e por fim... o amor, a admiração imensa, e o orgulho de saber que uma escritora desse porte veio a existir!!! 
Meu Deus do céu, o que dizer desses belos personagens impecavelmente construídos, dessa trama bem amarrada, e... LIZZIE BENNET! Que moça maravilhosa, falo moça porque quantas Lizzie Bennets existem graças a personagem Lizzie que serviu de inspiração para que essas mulheres, independente da idade busquem a força de vida, a realização de seus sonhos, o não contentamento de migalhas, enfim... que realmente vêem seu valor!!! Quantas Lizzie Bennets que fogem dos padrões impostos pela sociedade que subjugam pessoas pelo seu tipo físico, modo de pensar e agir, porém, estas Lizzies não se subestimam e vão em frente, sobrepondo-se a esse sistema castrador que nos desconsideram e nos podam!!!
E aí veio os boletos das lojas americanas e submarinos da vida, dos livros de Jane Austen comprados... Persuasão, Razão e sensibilidade... Passo na livraria da minha cidade e namoro as coleções de luxo em capa dura da Martin Claret da Jane Austen, que custa o olho da cara, obviamente porque os donos da livraria não são idiotas... E esse ano tentei ler razão e sensibilidade, mas confesso que não consegui ler, porque para mim exige um sistema nervoso INTACTO, o meu não é, discorrerei sobre isso numa próxima resenha sobre a minha aventura com o livro. Parei na parte em que Elionor passa a rivalizar com a noiva de Edward (aquele cafa!!!) AAAAAAAHHHHH QUE ÓDIO!!!
Mas a questão é essa: Jane Austen está longe de ser uma leitura chinfrim. Na minha concepção equivocada, dizia de boca cheia que Jane era água com açúcar, e meus caros leitores! JANE AUSTEN EXIGE MENTE E CORAÇÃO DE NÓS!!! Não é atoa que se passaram 200 anos de sua morte, e até no Brasil, que leitores são escassos, poucos lêem 12 livros por ano, ainda se esgotam lugares onde se prestará homenagem a esta escritora!!! Em cada cantinho do mundo hoje, alguém estará postando uma foto do retrato de Jane, ou o seu livro favorito dela, ou a declaração que Mr. Darcy fez a Lizzie, enfim, tudo o que remete ao universo Jane. Ela me marcou para me fazer ter consciência da minha força enquanto mulher e subversiva, a maior parte de suas personagens tem essa característica que as levaram a plenitude, e se elas puderam chegar, eu também posso!!! Em cada história há uma lição para se aprender, em cada capítulo há uma frase reflexiva, algum personagem nos reverberará uma sensação de pertencimento em nós. Se você ainda não leu Jane Austen, dê uma chance a ela. Se você tem preconceito com ela, pare já com isso!!! Jane transcende a qualquer hype, Jane transcende ao tempo, e sua consumação voraz.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Como "desconstruir-se" abruptamente pode ser perigoso?

"Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal."
    
         Fagulha- Ana Cristina Cesar


Era o ano de 2015, e eu estava usando maconha em demasia e do jeito errado, e trabalhando numa clínica psicológica. Estava numa pira de desconstruir-me, e a minha patroa dizia-me: "Ismara, a vida é flexível...", mas eu, sob o torpor da erva, ignorava esses avisos que poderiam salvar minha saúde mental. Quando eu digo que desconstruir pode ser perigoso, é porque não adianta nada você tirar um bloco de seu construto sem colocar outro no lugar, ao pensarmos na flexibilidade da vida, temos que levar em consideração que ela, por si só, aceita a revisão de conceitos, e consequentemente mudanças, sem exigir de nós o desmembramento de nós mesmos. Lembrar do que éramos, e ver o que somos agora, nos possibilita fazermos um paralelo do quanto nós crescemos como indivíduos. ENTÃO ESTE É O PONTO: A VIDA É FLEXÍVEL, NÃO EXIGE DE NÓS O DESMEMBRAMENTO DE NÓS MESMOS.
Mas vamos ao livro, em especial este poema maravilhoso. Conheci Ana Cristina Cesar por acaso, acho que na revista Cult, e confesso que me chamou a atenção o suicídio dela, visto que uns dias atrás me passou pela cabeça tomar um coquetel de remédios para morrer (isso foi em 2014, em meados de novembro, eu estava péssima). E quis conhecer este cometa que passou pela Terra, e graças a god, consegui comprar o livro! Ele é composto por todos os escritos de Ana Cristina, e a intensidade flamejante é uma característica particular de sua obra. Ao lê-lo, você tem a sensação de estar passando pelo fogo, porque há um desnudamento de si próprio em cada frase, trecho, palavra e espaçamento. O peso de ser quem se é, o peso de ser mulher, O PESO DE SER... o simples peso de ser. E por falar nisso, quero discorrer sobre o poema "Fagulha", que fui entendê-lo plenamente após sobreviver ao lapso de mim, e pude entender que o desejo de descarnar de si pode ser cruel, levando em consideração que na vida tudo tem seu preço.
Tudo parece tão simples, e ao mesmo tempo tão difícil. Tudo o que queremos é sermos uma pluma, ou termos termos uma característica típica da brisa que nos toca, conforme a primeira estrofe. A nossa contemporaneidade nos exige tanto, porém nos isenta de não nos sensibilizarmos com as coisas que nos cercam. O que será de nós se cada vez mais nos for tirado o sentimento das coisas? Desejamos explorar o que nos rondam, nos aventurarmos diante das coisas novas que também são boas, parafraseando Belchior, que há tanto tempo ignoramos, ocupados em existir na mesmice de uma rotina incolor. Queremos descobrir, desbravar, o que há tanto tempo nos era imperceptível, ou o que nos é, porque ainda não nos libertamos dos grilhões dos medos, preconceitos, e tantas outras amarras que mobilham a nossa vida. Queremos fazer história, queremos ser um marco, sermos motivo de orgulho para nós mesmos, por termos saído da zona de conforto em busca de fazer sentido.
Porém, tudo isto requer da gente consciência de que, ao estarmos descontentes, não significa que temos de nos desmembrar de nós mesmos. Como eu disse anteriormente, a vida nos possibilita revermos nossos conceitos, sem precisarmos comprometer nossos alicerces, ou seja, nossa essência. Virarmos do avesso, indo contra o nosso ritmo, nossa maré, mesmo que tenhamos por objetivo nossa felicidade ou nosso crescimento pessoal, pode ser perigoso, porque podemos perder o norte da nossa caminhada. A questão é: RESPEITE O SEU RITMO, NÃO QUEIRA ABRAÇAR O MUNDO COM AS PERNAS. Você pode se tornar uma pessoa extraordinária, desde que entenda que você é um indivíduo com características próprias. Se você está passando por uma crise existencial, e necessita dar sentido em sua vida, não busque fugas, como por exemplo nas drogas, ou outros métodos que fogem ao natural. Se você quer saber mais a respeito disso, essa semana sairá um post relacionado a este assunto, de livros e músicas! Prometo! Respeite a si mesmo, e não se arrisque em virar abruptamente do avesso. 

domingo, 16 de julho de 2017

FLIP dará espaço para escritoras negras


De acordo com o site “O Globo”, na coluna de Geraldo Carneiro, foi noticiado pelos jornais que a Festa Literária Internacional de Paraty será encerrada com o encontro das escritoras Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves. É um grande passo, pois as vozes negras que antes eram caladas pelos pensamentos eurocêntricos dos grandes influentes intelectuais e governantes do nosso país, agora vê que é uma questão social inserir a negritude nos vários nichos da sociedade, inclusive o cultural.

As mulheres negras tem história, e podem trazer em debate muitas questões que nós, inconscientemente, praticamos no nosso cotidiano, na questão do preconceito. Como a hipersexualização do corpo da mulher negra, a questão da aceitação da estética, a cultura predominante dos povos negros, que a sociedade demoniza, como por exemplo a religiosidade, que equivocadamente a sociedade julga e pré concebe uma ideia erroneamente. Vamos aproveitar para conhecer essas grandes escritoras, que carregam a história em sua pele. Bora fortalecer?

sábado, 15 de julho de 2017

O que há por entre as junturas dos ossos?

"Muita ferida posso
quer no amor, quer no ódio,
desatrelo freios, 
monto muito muro divisório.
Construo a ferida como um arco romano
que nem o tempo corrói".
               
                  Entre as junturas dos ossos - Vera Lúcia de Oliveira

Quando eu li este livro, a primeira coisa que eu pensei foi: "PUTZ!", e esta poesia valeu pelo livro todo. Ela me traduz sem igual, sabe por que? Digo, com a cara queimando de vergonha, que sempre fui uma pessoa sensível no sentido mais negativo da palavra. Sempre fui de guardar rancor, de pegar ranço, de sentir recalque... sim, meu caro leitor, isso é reflexo de uma baixa autoestima muito grande, para você ter uma ideia, há meia hora atrás ocultei uma publicação de uma ex colega da universidade que mudou o visual, e obviamente ficou mais linda do que já é. Tudo isto causa o que? Feridas!
Uma chaga emocional por você não se aceitar como deveria, e que por mais que você se olhe no espelho balbuciando a música "Bobagem" da Céu (minha beleza não é efêmera, como que eu vejo em bancas por aí), cantar a plenos pulmões "Born this way" da Lady Gaga com o seu inglês péssimo, nada é o suficiente quando uma nuvem negra paira na sua cabeça para te lembrar que existem pessoas mais bonitas que você (de acordo com os padrões impostos na sociedade), mais inteligentes que você, enfim, um monte de coisas a mais que você.
O que era uma perebinha de nada, sob o sol iluminado de uma bela manhã, ouvindo "Acabou chorare" dos Novos Baianos, segurx da ideia de que você é suficiente em todos os sentidos, muda de figura quando acaba o disco e você resolve colocar Radiohead, e um corte que mina sangue e incerteza surge em você. "Desatrelo freios, monto muito muro divisório", aaaaahhh, se monto muros! Minha especialidade! Se invoco com alguém, se sofro uma desilusão, mesmo que eu faça o esforço de perdoar, na realidade, já estou preparando o concreto para assentar os tijolinhos da minha muralha. E se eu ainda colocasse uma pedra no assunto tava bom... ainda "construo a ferida como um arco romano", conforme a poesia, imortal, incicatrizável. Sou de chafurdar o dedo na lesão, para abrir o ferimento de maneira que ele se torne incurável. E pensa que eu ganho alguma coisa com isso? Ganho bosta!
Me tornei um disco furado contando sempre as mesmas histórias das vezes em que fui traída, e sob o manto de sobrevivente, escondi de mim mesma a hemorragia que esses traumatismos emocionais estavam me causando. E tudo isso não é culpa dessas pessoas que passaram pela minha vida, a culpa, meu caro leitor, é minha! Quanto mais eu chafurdava o dedo na ferida, mais elas criavam camadas e substância por entre as junturas dos ossos. E o que há entre as junturas dos ossos? O peso de sermos quem somos. Essa coisa canastrona que nos tornamos, e ainda iremos nos transformar, em tantas outras figuras dignas de uma boa história de mitologia. Hades ou Fênix? 
A questão é que estamos suscetíveis a nos ferir, mas a forma como lidamos com o fato, é que vai ser determinante para o nosso contentamento com a vida. Estou engatinhando nesta questão, parando de ler coisas que abalam meu psicológico, de ouvir músicas que me remetem ao passado que já passou faz tempo, enfim... eu chego lá. Só sei, meu caro leitor, que se você puder ler, leia! São poesias intimistas, que descrevem este peso de ser, entende? Sabe quando a vida equivale ao peso de um lutador de sumô? Toda esta responsabilidade de existir, de fazer sentido, contido nesses poemas curtos, porém, cheios de significado. Está na minha "wishlist", pois não é uma questão de consumismo, é uma questão de nostalgia, pela época feliz em que eu vivi quando o li. E estas lembranças, meu caro leitor, "nem o tempo corrói".


sexta-feira, 14 de julho de 2017

O despertar e a liberdade de ser contido em “Amor”, de Clarice Lispector

Já teve a sensação de estar dormindo de olho aberto? De ser uma ameba no organismo universal? Um zumbi que desempenha com proatividade a incumbência de ser “o filho exemplar”, ou “o funcionário do mês”, “cidadão correto”, conforme os ditames que esta sociedade nos impõe? E por falar em sociedade, o que dizer dessa sociedade de consumo, que nos enfia goela abaixo informação, entretenimento, produtos, tecnologia, de maneira que simplesmente não conseguimos alcançar a suficiência, não temos tempo de absorvermos o que nos é oferecido, dessa forma, consumimos desenfreadamente sem pararmos para pensar no porquê estamos produzindo toda essa parafernália…
Já parou para se perguntar: será que eu tenho consciência da minha existência, ou sou apenas um robô? Todas essas indagações que eu fiz permearam o meu íntimo durante muito tempo. Já fui uma célula dessa grande organização do sistema que nos aprisiona em vícios, fugas, rótulos impostos que nos tiram a liberdade de sermos quem realmente somos. Quando Ana, personagem do conto, vê o cego mastigando goma na escuridão, reverbera o sentimento de que ela também está mastigando a vida, ou seja, mastigando o tempo que lhe resta, em profunda obscuridade, sem ver substância, consistência na vida em que ela levava.
Agora minhas queridas e queridos, o que vocês estão fazendo com a vida de vocês? Ana dava tudo de si, “sua corrente de vida”, no marasmo que era a sua rotina, sem se dar conta do quanto tudo era insubstancial. Aquela vida de mãe e dona de casa a condicionava entregar toda a sua energia para o bom funcionamento da instituição familiar. O marido satisfeito em ter comida, roupa lavada e casa limpa, os filhos também, sem contar que mais cedo ou mais tarde teriam sua independência e assumiriam o controle de suas vidas. E Ana, quando assumiria o controle de sua vida?
Ao sair do bonde, rumo ao jardim botânico, após o despertar de si própria naquela constatação da mecanização da mastigação do cego, Ana via com intensidade o cerne dos elementos em sua volta. As cores, as camadas, enfim, tudo o que constituía o lugar. Me remeteu a época em que eu passei pela experiência de sinestesia durante quinze dias, e tudo, como diz a música dos Engenheiros do Hawaii: “Tudo ficou tão claro, um intervalo na escuridão…” Estar preso a um curso indesejado, um relacionamento abusivo, um emprego desgastante, faz com que percamos as rédeas da nossa vida, e a consciência do nosso próprio valor. Se você chegou até este ponto exato da leitura, meu caro leitor, é porque, assim como Ana, “você também necessita sentir a raiz firme das coisas”. E viver “abolindo a felicidade”, parafraseando o trecho do conto, é uma forma de vegetar.
Para vocês terem uma noção, lembro-me dos últimos dias de vida do meu pai, embora o que ele tinha fosse grave, a esperança era uma brasa acesa em seu coração. Eu ficava com ele no hospital para ajudá-lo a fazer suas necessidades, servir de companhia, enfim, isso faz 10 anos. Ele me disse: “Ismara, vou fechar a oficina que eu trabalho, tirar habilitação, comprar um fusca e viajar. Eu não vivi nada, só cuidei das responsabilidades, e o que eu ganhei?” Ele não conseguiu realizar seu sonho. Já pensou que triste seria se você, leitor, se visse nesta situação derradeira, e chegando à conclusão que não viveu, só existiu?

A partir do momento que você desperta para si mesmo, você não aceita mais ser fantoche do sistema. Assim como Ana, você sente que o mundo é seu, o modo como você escolhe viver refletirá na maneira que o mundo funcionará pra você. Você tem a escolha de sair da sua própria zona de conforto, e dar uma volta de 180º graus em seus conceitos referentes à maneira como vive. Ana fez a escolha dela, possivelmente colocando na balança tudo o que acarretaria naquela decisão. Mas ela nunca mais foi a mesma. Não vou falar qual foi a decisão, porque não quero dar SPOILER, mas fica o incentivo para você ler o conto, é divino! O meu objetivo, ao trazer esta discussão, foi fazer você pensar acerca da maneira como está vivendo, e todo o tempo é tempo de mudar! Reflita! Não masque a vida na escuridão.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Perdoem a reprodução do machismo, e não desistam de mim!

Sim, eu amei "A vida na porta da geladeira". Não, eu não me expressei bem na primeira resenha, como vocês podem ter notado.

Faz 2 anos em que iniciei esta página, obviamente com uma cara antiga, nome antigo, enfim, e na época eu estava passando por um problema de saúde sério, em decorrência do abuso de álcool e maconha, que eu as utilizavam como válvulas de escape, tudo para ser feliz, uma vã tentativa de fugir das feridas que ardiam no meu íntimo. Por favor queridas e queridos, me isentem da discussão de que maconha é só uma planta, porque a questão aqui é a minha experiência ruim com a erva, não estou aqui para generalizar. Superado o problema, vamos falar sobre os tombos, e consequentemente, os ralados figurados que levamos nessa caminhada. 
Muitas das feridas que a vida cultivou em mim foram causadas por esta sociedade patriarcal, machista e opressora, e me tornei alienada diante dos seus ditames. Não me valorizava como mulher, dava muito biscoito pra macho, e dava razão por todas as humilhações que eu sofria, causados por homens. Até minhas escolhas literárias eram reflexos da minha reprodução do machismo, todos os escritores eram majoritariamente homens, e eu podia contar nos dedos de uma mão (E AINDA SOBRAVA DEDO) das escritoras que eu gostava.
Lembro das minhas amigas da universidade, Rafaely e Mariely, ambas amantes de literatura, tanto quanto eu, me incentivando a ler Jane Austen, e eu torcia o nariz, dizendo erroneamente: "isto é leitura de mulherzinha". MANO, ELAS AINDA TIVERAM TODA A PACIÊNCIA COMIGO! SABE O QUE É PASSAR O ANO DE 2014 E 2015 INTEIRO REPRODUZINDO MACHISMO? ACHO QUE BOLSONARO ME ADOTARIA HAHAHA! Mas não quero falar de política, quero me redimir pela falha grosseira, e parafraseando The Cardigans: "Apague e rebobine, porque eu mudei minha mente".
No livro "A vida na porta da geladeira", a mãe de Claire é separada, e o fato de eu ter dito que ela era "mãe solteira" foi o equívoco mais infeliz de todos, porque: suponhamos que ela tenha engravidado, e o pai da criança a abandonou, O ERRADO É ELE, E NÃO ELA, porque o fato da mulher ter a capacidade de conceber um filho, não significa que somente ela tem que ter o controle da consumação do ato sexual, como se o homem não tivesse controle sobre o próprio corpo. É a mulher que tem que pensar em tudo??? Camisinha, pílulas e outros métodos contraceptivos??? E PIOR AINDA: arcar financeiramente com tudo isso??? Sem contar que, dependendo da escolha de tais métodos, poderá ocasionar em danos para a saúde. 
Mas a história é outra, a mãe de Claire é separada. Honestamente gente, eu não tenho saco, fluídos, libido o suficiente pra casamento. Alguns conseguem viver juntos, mesmo descobrindo que não ama mais o parceiro ou a parceira, desta forma se tornam grandes amigos com benefícios fisiológicos, é esse o nome certo??? Não sei... o fato é que: só de pensar em fazer sexo com alguém que eu não sinto nenhum desejo, me dá repulsa. E se a mãe de Claire descobriu que já não amava mais o marido? Ou então que ele a impedia de ter uma independência financeira? São conjecturas que não podem ser descartadas.
Uma coisa também que me fez refletir hoje, nesta história, é sobre a dupla jornada desta mãe, que a impedia de ver o crescimento da filha. Quantas mães existentes no mundo que trabalham diariamente em cargas horárias exaustivas, para dar conta de suprir as necessidades do filho da melhor forma? Pagar um colégio bom, um plano de saúde digno, e outras coisas que já deixaram de ser luxo, e passaram a ser necessidade. A sociedade ainda insiste em hostilizar estas mães, fechando os olhos para esta realidade. Muitas são mães em carreira solo, ou foram abandonadas pelos seus parceiros, ou estas crianças sofreram o chamado ABORTO PATERNO, ficando sob a responsabilidade da mãe todos os encargos de se criar um filho. 
Sim, minha gente, pensando em todas essas problematizações, decidi repaginar o blog, e fazer surgir o "Mana Leitora", para valorizarmos essas escritoras e suas personagens emblemáticas que tanto refletem em nossa vida. PERDOAM O EQUÍVOCO DA PRIMEIRA RESENHA, E NÃO DESISTAM DE MIM! Pois como diz Belchior: "O que algum tempo era novo... hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer".