"Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal."
Fagulha- Ana Cristina Cesar
Era o ano de 2015, e eu estava usando maconha em demasia e do jeito errado, e trabalhando numa clínica psicológica. Estava numa pira de desconstruir-me, e a minha patroa dizia-me: "Ismara, a vida é flexível...", mas eu, sob o torpor da erva, ignorava esses avisos que poderiam salvar minha saúde mental. Quando eu digo que desconstruir pode ser perigoso, é porque não adianta nada você tirar um bloco de seu construto sem colocar outro no lugar, ao pensarmos na flexibilidade da vida, temos que levar em consideração que ela, por si só, aceita a revisão de conceitos, e consequentemente mudanças, sem exigir de nós o desmembramento de nós mesmos. Lembrar do que éramos, e ver o que somos agora, nos possibilita fazermos um paralelo do quanto nós crescemos como indivíduos. ENTÃO ESTE É O PONTO: A VIDA É FLEXÍVEL, NÃO EXIGE DE NÓS O DESMEMBRAMENTO DE NÓS MESMOS.
Mas vamos ao livro, em especial este poema maravilhoso. Conheci Ana Cristina Cesar por acaso, acho que na revista Cult, e confesso que me chamou a atenção o suicídio dela, visto que uns dias atrás me passou pela cabeça tomar um coquetel de remédios para morrer (isso foi em 2014, em meados de novembro, eu estava péssima). E quis conhecer este cometa que passou pela Terra, e graças a god, consegui comprar o livro! Ele é composto por todos os escritos de Ana Cristina, e a intensidade flamejante é uma característica particular de sua obra. Ao lê-lo, você tem a sensação de estar passando pelo fogo, porque há um desnudamento de si próprio em cada frase, trecho, palavra e espaçamento. O peso de ser quem se é, o peso de ser mulher, O PESO DE SER... o simples peso de ser. E por falar nisso, quero discorrer sobre o poema "Fagulha", que fui entendê-lo plenamente após sobreviver ao lapso de mim, e pude entender que o desejo de descarnar de si pode ser cruel, levando em consideração que na vida tudo tem seu preço.
Tudo parece tão simples, e ao mesmo tempo tão difícil. Tudo o que queremos é sermos uma pluma, ou termos termos uma característica típica da brisa que nos toca, conforme a primeira estrofe. A nossa contemporaneidade nos exige tanto, porém nos isenta de não nos sensibilizarmos com as coisas que nos cercam. O que será de nós se cada vez mais nos for tirado o sentimento das coisas? Desejamos explorar o que nos rondam, nos aventurarmos diante das coisas novas que também são boas, parafraseando Belchior, que há tanto tempo ignoramos, ocupados em existir na mesmice de uma rotina incolor. Queremos descobrir, desbravar, o que há tanto tempo nos era imperceptível, ou o que nos é, porque ainda não nos libertamos dos grilhões dos medos, preconceitos, e tantas outras amarras que mobilham a nossa vida. Queremos fazer história, queremos ser um marco, sermos motivo de orgulho para nós mesmos, por termos saído da zona de conforto em busca de fazer sentido.
Porém, tudo isto requer da gente consciência de que, ao estarmos descontentes, não significa que temos de nos desmembrar de nós mesmos. Como eu disse anteriormente, a vida nos possibilita revermos nossos conceitos, sem precisarmos comprometer nossos alicerces, ou seja, nossa essência. Virarmos do avesso, indo contra o nosso ritmo, nossa maré, mesmo que tenhamos por objetivo nossa felicidade ou nosso crescimento pessoal, pode ser perigoso, porque podemos perder o norte da nossa caminhada. A questão é: RESPEITE O SEU RITMO, NÃO QUEIRA ABRAÇAR O MUNDO COM AS PERNAS. Você pode se tornar uma pessoa extraordinária, desde que entenda que você é um indivíduo com características próprias. Se você está passando por uma crise existencial, e necessita dar sentido em sua vida, não busque fugas, como por exemplo nas drogas, ou outros métodos que fogem ao natural. Se você quer saber mais a respeito disso, essa semana sairá um post relacionado a este assunto, de livros e músicas! Prometo! Respeite a si mesmo, e não se arrisque em virar abruptamente do avesso.

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