quarta-feira, 26 de julho de 2017

Me perdoem as #TeamRochester, mas amor próprio é fundamental (Jane Eyre Primeira Parte)


Há muito tempo Jane Eyre foi considerado o meu livro favorito, e realmente não tiro em nada o mérito dele. Mas comecei a problematizá-lo de uns tempos para cá. Em especial Rochester, por que cargas d'água eu dava tanto biscoito para este personagem? Esta não será a primeira e única resenha que farei deste livro, tem muito assunto ainda a ser tratado, mas hoje vejo que Jane Eyre não é um romance, mas sim um conflito psicológico, onde a personagem principal parece ter como ponto de vista que somente o amor romântico poderá lhe salvar, um homem que pensa que só porque tem um certo poder aquisitivo acha que está no direito de manipular sentimentos a sua volta, e uma mulher, apagada da história, conhecida como louca, mas se procurarmos saber a respeito dela, descobriremos muitas facetas em torno desse "cavalheirismo" de Rochester (vamos falar mais a respeito dela na segunda parte).
Embora Jane seja uma mulher muito destemida, não a vejo como uma mulher empoderada, mas não a julgo por isso, devemos levar em consideração que a história se passava no século XIX, e o mito do amor romântico e a submissão estava em voga, naquela sociedade machista, e envolvida pelos ditames da igreja. POR FAVOR, ESTE É O MEU PONTO DE VISTA, E COMPARTILHO COM VOCÊS! Cada um faz sua própria interpretação do que lê, e analisando o livro, depois de algum tempo, cheguei a conclusão que possivelmente Charlotte gostaria de mostrar o cancro de cada mentalidade existente naquela sociedade que ela pertencia. Descrever uma protagonista tão destemida, mas ao mesmo tempo tão vulnerável as inconstâncias do amor romântico, principalmente quando se trata do que nós idealizamos em cima do outro, e também traçar um perfil de um homem cujos privilégios do patriarcado davam a crer para ele que poderia manipular os sentimentos de uma moça sem experiência na vida, que se sairia ileso. Enfim... faz a gente pensar na nossa própria vida, e nas escolhas que fazemos, em especial quando se trata de envolvermos com alguém parecido com este personagem. É uma linha tênue demais!!!
Ao falar deste livro, decidi dividi-lo em duas partes, para compartilhar com vocês minhas conjecturas acerca dessa história. Nos últimos 2 meses mais ou menos, ela me marcou muito, mesmo eu não tendo pegado o livro para reler, mas sabe quando você fica caçando artigos acadêmicos a respeito do livro, e passa a desconstruir aquela imagem que você tinha a respeito daquele crush literário que te acompanhou por anos??? Pois então... Vamos ao objeto de análise. Rochester é um típico homem que sabe o que dizer para envolver uma mulher. Aí junta a ausência de uma companheira (vamos falar disso na segunda parte), e o fato dele ter um magnetismo, a beleza acaba se sobressaindo, e por incrível que pareça a riqueza fica em último plano (SÉRIO!) É um kit perfeito de pega trouxa, e Jane caiu nessa armadilha. Agora eu vou explicar porque eu me desiludi com o Rochester.
Edward Rochester tinha um mistério que rondava a sua vida, e o fato dele estar sendo marcado pela presença de Jane, uma mulher inteligente (sim, isso Jane é, sem sombra de dúvidas!), que se impunha diante dos questionamentos acerca de sua vida, ou seja, Jane tinha uma personalidade, mas ao falar de Rochester, a minha dúvida é que eu não sei ao certo em que sentido este marco estava levando a intenção dele, essa é a minha indagação... enfim... ele queria sempre manter Jane por perto, como uma "CÚMPLICE DE UM CRIME" (eu vou explicar melhor porque escrevi esta expressão em caixa alta e entre aspas na segunda parte desta análise). E ao mesmo tempo que ele gostaria que ela compactuasse de suas decisões, ele brincava muito com os sentimentos dela, fazia muitos jogos sentimentais. Ao receber a Lady Ingram, que subjetivamente se forjou um possível enlace dos dois, Rochester meio que obrigou Jane a ver aquela cena em que os dois riam e se deleitavam com a presença um do outro, até ela não aguentar mais. 
Sem contar a forma como se deu o rompimento dos dois, e a condição que ele queria condicionar Jane a viver, nesse ponto Jane foi muito mulher, em se colocar em primeiro lugar e sair daquela casa... Rochester, em linhas gerais, estava mais interessado no seu próprio bem estar, em se satisfazer, do que nos sentimentos dos outros e na própria dignidade do outro. Isto soa conservador, mas ao deixarmos o anacronismo de lado, vemos o quanto certas convenções eram importantes para a mulher daquele século. Por exemplo, se hoje já existe um certo olhar torto em torno da mulher que somente mora junto com outro homem, imagine o peso que esta decisão exerceria para aquele século, em que os paradigmas eram mais rígidos?! Será que Jane teria estrutura suficiente para enfrentar esses julgamentos??? Rochester nunca levou isso em consideração! Desculpa a franqueza gente! Mas olha, eu necessito desabafar!
Hoje a gente lida com pessoas de todas as facetas, e vez por outra encontramos os Rochesters da vida. Mas precisamos sempre analisar: uma pessoa que não consegue assumir as consequências de suas próprias escolhas, o peso de suas próprias decisões, é merecedor do seu sentimento? Uma pessoa que manipula seus sentimentos para ver até que ponto você sente algo por ela, é merecedor desse amor que você nutre por ela? Observa-se (vou falar mais disso na outra resenha a respeito desse livro), que Rochester está sempre responsabilizando os outros pelo seu próprio infortúnio, ou seja, uma pessoa que terceiriza a culpa pela sua desgraça, ao invés de assumir a sua própria cagada, merece a sua consideração? Percebe-se que Rochester tinha uma certa imaturidade ao lidar com a vida, e ao ter seus privilégios financeiros e estruturais, manipulava sentimentos de quem tinha a melhor das intenções para com ele, como foi o caso da Jane. Então todas essas perguntas que eu te fiz, é um exercício que eu incentivo você a fazer constantemente em sua vida, em especial quando você for se relacionar com alguém. 
Aguarde que no mais tardar na semana que vem, sai a segunda parte dessa resenha! Curta, siga, comente e compartilha!Desculpe se eu destruí seus sonhos, mas certos tapas na cara são necessários levar!

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