sábado, 4 de julho de 2015

A vida na porta da geladeira: quando o livro vai além de uma mera ferramenta de distração

Hoje o dia estava propício a simplesmente não fazer nada. Mas ando não fazendo nada a dias, por conta de um probleminha de saúde, então resolvi pegar um livro para ler, com a meta de devorá-lo no final de semana. O que eu não esperava, é que eu o devoraria em horas, e ainda por cima, me faria ter ânimo para fazer esta resenha de estréia no Post-it.
Existem coisas na vida que simplesmente não se explicam, o que pra mim é um tanto quanto inquietante, porque sempre quero explicação de tudo. Já faz um tempo que "A vida na porta da geladeira" foi lançado, e como é de praxe, a curiosidade foi atiçada pelo título. Depois de muito tempo, entre idas e vindas, que eu consegui um exemplar deste livro, e por fim, resolvi lê-lo, e foi uma grata surpresa.
O livro nos apresenta um relacionamento de mãe e filha, que sustentam seus laços em recados na geladeira, quando a correria é maior do que as convenções dos elos familiares. Uma médica, mãe solteira, lidando com a responsabilidade de salvar vidas, e criar uma filha de 15 anos, Claire, que está no auge da adolescência. Entre plantões e desencontros, as duas tentam lidar da melhor forma com estas condições que são impostas, até que algo inesperado acontece na vida desta médica, e é aí que entra o papel importante que um livro exerce na vida de quem o lê.
Antes de explicar este ponto, há tempos criei este blog, mas ainda não havia me sentido impulsionada a lançá-lo, e não é por causa das tantas responsabilidades que vamos adquirindo ao longo da vida, mas sim porque muitas vezes arranjamos muletas para justificar a negligência de coisas que podem ser importantes para a nossa vida. Estranho isso, não? Sou dona dessas coisas...
Espero que esta resenha sirva como incentivo para a leitura deste livro, porém, terei que dizer algo importante, e pode ser que venham a xingar até a vigésima geração por causa disso, mas não é por mal. Esta mãe descobre uma doença, e o relacionamento de mãe e filha avança para um estágio mais humanista, nos dando uma ideia do quanto uma adversidade pode nos transformar tanto pro bem quanto pro mal, o que é normal dada a nossa condição falha, por sermos simplesmente humanos. 
Entre consultas e rotinas desencontradas, um bilhete nos faz ter a percepção de nossa fragilidade, pois, enquanto está tudo bem, quantas coisas deixamos de fazer? Quantos prazeres abdicamos por coisas que nos desgastam? E os laços que realmente importam, que deixamos de cuidá-los por caprichos egoístas? Temos tempo suficiente para corrermos atrás, não do prejuízo, mas sim, do que enriquece nossa existência, e esta mãe, com toda a coragem, mostra a sua filha o quão importante é atentarmos para estas coisas que muitas vezes deixamos de lado. 
O livro é uma delícia de se ler, recomendo a todos!

A vida na porta da geladeira

Autor: Alice Kuipers
Editora: WMF Martins Fontes
Ano: 2009