Sim, eu amei "A vida na porta da geladeira". Não, eu não me expressei bem na primeira resenha, como vocês podem ter notado.
Faz 2 anos em que iniciei esta página, obviamente com uma cara antiga, nome antigo, enfim, e na época eu estava passando por um problema de saúde sério, em decorrência do abuso de álcool e maconha, que eu as utilizavam como válvulas de escape, tudo para ser feliz, uma vã tentativa de fugir das feridas que ardiam no meu íntimo. Por favor queridas e queridos, me isentem da discussão de que maconha é só uma planta, porque a questão aqui é a minha experiência ruim com a erva, não estou aqui para generalizar. Superado o problema, vamos falar sobre os tombos, e consequentemente, os ralados figurados que levamos nessa caminhada.
Muitas das feridas que a vida cultivou em mim foram causadas por esta sociedade patriarcal, machista e opressora, e me tornei alienada diante dos seus ditames. Não me valorizava como mulher, dava muito biscoito pra macho, e dava razão por todas as humilhações que eu sofria, causados por homens. Até minhas escolhas literárias eram reflexos da minha reprodução do machismo, todos os escritores eram majoritariamente homens, e eu podia contar nos dedos de uma mão (E AINDA SOBRAVA DEDO) das escritoras que eu gostava.
Lembro das minhas amigas da universidade, Rafaely e Mariely, ambas amantes de literatura, tanto quanto eu, me incentivando a ler Jane Austen, e eu torcia o nariz, dizendo erroneamente: "isto é leitura de mulherzinha". MANO, ELAS AINDA TIVERAM TODA A PACIÊNCIA COMIGO! SABE O QUE É PASSAR O ANO DE 2014 E 2015 INTEIRO REPRODUZINDO MACHISMO? ACHO QUE BOLSONARO ME ADOTARIA HAHAHA! Mas não quero falar de política, quero me redimir pela falha grosseira, e parafraseando The Cardigans: "Apague e rebobine, porque eu mudei minha mente".
No livro "A vida na porta da geladeira", a mãe de Claire é separada, e o fato de eu ter dito que ela era "mãe solteira" foi o equívoco mais infeliz de todos, porque: suponhamos que ela tenha engravidado, e o pai da criança a abandonou, O ERRADO É ELE, E NÃO ELA, porque o fato da mulher ter a capacidade de conceber um filho, não significa que somente ela tem que ter o controle da consumação do ato sexual, como se o homem não tivesse controle sobre o próprio corpo. É a mulher que tem que pensar em tudo??? Camisinha, pílulas e outros métodos contraceptivos??? E PIOR AINDA: arcar financeiramente com tudo isso??? Sem contar que, dependendo da escolha de tais métodos, poderá ocasionar em danos para a saúde.
Mas a história é outra, a mãe de Claire é separada. Honestamente gente, eu não tenho saco, fluídos, libido o suficiente pra casamento. Alguns conseguem viver juntos, mesmo descobrindo que não ama mais o parceiro ou a parceira, desta forma se tornam grandes amigos com benefícios fisiológicos, é esse o nome certo??? Não sei... o fato é que: só de pensar em fazer sexo com alguém que eu não sinto nenhum desejo, me dá repulsa. E se a mãe de Claire descobriu que já não amava mais o marido? Ou então que ele a impedia de ter uma independência financeira? São conjecturas que não podem ser descartadas.
Uma coisa também que me fez refletir hoje, nesta história, é sobre a dupla jornada desta mãe, que a impedia de ver o crescimento da filha. Quantas mães existentes no mundo que trabalham diariamente em cargas horárias exaustivas, para dar conta de suprir as necessidades do filho da melhor forma? Pagar um colégio bom, um plano de saúde digno, e outras coisas que já deixaram de ser luxo, e passaram a ser necessidade. A sociedade ainda insiste em hostilizar estas mães, fechando os olhos para esta realidade. Muitas são mães em carreira solo, ou foram abandonadas pelos seus parceiros, ou estas crianças sofreram o chamado ABORTO PATERNO, ficando sob a responsabilidade da mãe todos os encargos de se criar um filho.
Sim, minha gente, pensando em todas essas problematizações, decidi repaginar o blog, e fazer surgir o "Mana Leitora", para valorizarmos essas escritoras e suas personagens emblemáticas que tanto refletem em nossa vida. PERDOAM O EQUÍVOCO DA PRIMEIRA RESENHA, E NÃO DESISTAM DE MIM! Pois como diz Belchior: "O que algum tempo era novo... hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer".
Está lindo demais esse post ❤❤❤
ResponderExcluirAi amiga <3
ExcluirAguardo resenha dos livros que leu depois de ter se desconsteuído!!!
ResponderExcluirObs: quero saber mais o que te angariou em Razão e Sensibilidade
Vou contar amiga, como foi essa experiência!!! Foi um parto, foi muito sofrido amiga!!! Eu não sabia que ler Jane Austen era tão doído, putz! Você lembra o quanto eu a subestimava? Viu, tomei naquele lugar!!!
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